Antes de sete integrantes, antes do ARMY, antes de qualquer recorde, o BTS quase foi outro grupo completamente.

O BTS que o mundo nunca conheceu

Segundo o koreaboo.com, em 2010, quando Bang Si Hyuk começou a montar o que viria a ser o BTS, o plano inicial girava em torno de RM, já reconhecido no circuito do rap underground coreano. RM foi um dos primeiros a integrar o projeto na Big Hit Entertainment, ainda em fase de estruturação. Logo depois, outro rapper chamado Jung Hun Cheol também foi recrutado, e os dois foram apresentados publicamente como os primeiros membros do grupo em formação. Nas imagens do período, é possível ver Jung Hun Cheol ao lado de RM e de um artista identificado como J-Lim, numa configuração que pouquíssimos fãs reconhecem hoje.

Para entender o peso disso, é preciso lembrar o que era a Big Hit em 2010. A empresa estava longe de ser a potência que se tornaria. Bang Si Hyuk tinha saído da JYP Entertainment e fundado sua própria gravadora em 2005, mas os primeiros anos foram de luta financeira real. Apostar num grupo de hip-hop liderado por adolescentes do underground era uma decisão arriscada, e a formação do grupo passou por mudanças significativas antes do debut oficial em junho de 2013. Jung Hun Cheol fez parte dessa fase experimental, aquela que existe em registros esparsos e que a narrativa oficial do grupo raramente revisita.

De chartstopper a múltiplas prisões: o que aconteceu depois

O título original da reportagem do koreaboo.com é direto ao ponto: Jung Hun Cheol saiu de topar paradas musicais para enfrentar múltiplas prisões. Os detalhes específicos sobre as acusações, datas e circunstâncias das detenções constam na matéria completa da fonte, que traça o arco completo de sua vida, do momento de visibilidade ao lado de RM até um caminho radicalmente diferente do que qualquer fã imaginaria para alguém com aquela posição de origem. É uma história que o universo do kpop raramente para para contar, porque não termina em comeback nem em hiato criativo.

No Brasil, o fandom do BTS é um dos maiores e mais organizados do mundo, e mesmo assim, pouquíssimos ARMYs brasileiros conhecem o nome Jung Hun Cheol. Isso não é surpresa. A narrativa construída ao redor do grupo a partir do debut em 2013 foi tão poderosa, tão bem documentada em weverse posts, behind-the-scenes e depoimentos dos próprios integrantes, que o período pré-debut se tornou quase mitológico. Sabe-se que havia ensaios extenuantes, que a empresa tinha poucos recursos, que os meninos dormiam no estúdio. Mas os rostos que saíram antes do debut ficaram na sombra.

Por que essa história importa agora, e o que ela revela sobre o sistema

Histórias como a de Jung Hun Cheol são um lembrete incômodo de como o sistema de trainees funciona. Para cada grupo que debuta, há pessoas que ficaram para trás, algumas por escolha da gravadora, outras por decisão própria, outras por circunstâncias de vida que o brilho do kpop mainstream não ilumina. O que me chama atenção nesse caso específico é que Jung Hun Cheol não foi simplesmente descartado antes do debut: ele foi apresentado publicamente como membro, ao lado de RM, o que torna seu desaparecimento da história oficial ainda mais marcante, é apagamento, não apenas ausência. A trajetória posterior descrita pelo koreaboo.com, que inclui múltiplas prisões, adiciona uma camada humana e trágica a esse apagamento. Não se trata de especular sobre o que poderia ter sido. Trata-se de reconhecer que por trás de cada grupo de sucesso existe uma história mais complexa, e que as pessoas que ficaram pelo caminho têm histórias que merecem ser contadas com a mesma seriedade.

A reportagem completa do koreaboo.com reconstrói a linha do tempo de Jung Hun Cheol com detalhes que vão muito além do que circula nos fóruns de história do BTS, e é leitura obrigatória para quem quer entender o grupo além da discografia oficial.