Vou ser honesta: tem mês que a programação dos doramas parece uma emboscada.
Março de 2026 foi exatamente isso. Entre lançamentos que prometiam muito no teaser e entregaram pouco na tela, e histórias que simplesmente perderam o fio logo nos primeiros episódios, eu me vi pausando mais do que assistindo. E não fui a única: os fóruns brasileiros no Twitter e no Reddit ficaram cheios de gente postando aquele meme clássico do personagem saindo pela porta. Então decidi fazer o que eu faço de melhor aqui no PopSeoul: organizar o caos em lista, com critério e sem papas na língua.
O critério que usei para montar esse ranking foi simples e cruel: quanto mais esperança o dorama gerou antes de estrear, mais alto ele aparece quando decepcionou. Não é só sobre ser ruim. É sobre trair a expectativa. Vem comigo.
Os cinco que testaram nossa paciência naquele mês
5. Amor Sem Retorno (no original, Love With No Return)
Começo pelo que considero o caso mais triste da lista. A premissa era sólida: um romance entre dois personagens que se conhecem numa clínica de reabilitação emocional, com direção de arte lindíssima e dois atores que eu já acompanho há anos. Nos dois primeiros episódios, eu estava dentro. No terceiro, o roteiro começou a enrolar. No quinto, eu tinha aberto outra aba no navegador enquanto 'assistia'. Quando você começa a dobrar roupa durante uma cena de clímax emocional, o dorama perdeu você de vez. O problema aqui não foi o elenco, que claramente deu o que tinha. Foi um roteiro que confundiu 'lento e contemplativo' com 'vazio'.
4. A Última Estação (no original, The Last Station)
Esse aqui gerou um hype considerável no fandom BR antes de estrear, principalmente por causa do trailer, que tinha uma trilha sonora impecável e planos abertos belíssimos de paisagem coreana no inverno. Com 16 episódios, ele tinha espaço de sobra para desenvolver a história de um homem que volta à cidade natal depois de 20 anos. O problema: os roteiristas usaram esse espaço para repetir as mesmas três discussões entre os personagens principais em loop, episódio após episódio. A partir do oitavo, o grupo de WhatsApp do fandom que eu participo começou a ficar em silêncio. Quando o grupo silencia, é sinal claro de que o dorama foi engavetado nas telas de todo mundo.
3. Noite de Seul (no original, Seoul Night)
Eu esperava muito desse. O diretor tinha no currículo um trabalho anterior que eu amo de verdade, e a atmosfera noir urbana do teaser prometia algo diferente do que o mercado vinha entregando. Mas confesso que desisti no quarto episódio, quando percebi que a trama policial, que deveria ser o motor da história, estava sendo usada apenas como pano de fundo para um triângulo amoroso previsível. Usar um bom conceito de gênero como embalagem para um romance genérico é um dos maiores crimes que um roteiro pode cometer. Fiquei com a sensação de ter sido enganada duas vezes: pelo trailer e pelo quarto episódio, que parecia que ia virar o jogo e não virou.
2. Contrato de Primavera (no original, Spring Contract)
Aqui chegamos no território do superestimado. Esse dorama recebeu uma cobertura enorme de vários portais internacionais antes de estrear, com direito a matérias sobre o orçamento de produção e entrevistas longas com o elenco. O resultado na tela foi um romance de contrato, fórmula que já existe há décadas no K-drama, sem nenhuma camada nova, sem nenhuma surpresa, sem nenhum momento que me fizesse pausar para respirar. Com 12 episódios no total, eu cheguei até o sétimo na base da teimosia. Fui até ali porque paguei caro na esperança. Saí porque o roteiro não me deu nenhuma razão para ficar. O fandom BR foi bastante vocal sobre isso nas redes: vi mais posts de 'dropei' do que de 'amei' durante todas as semanas de exibição.
1. O Despertar dos Heróis (no original, Heroes Awakening)
E chegamos ao número um, que é também o caso que mais me frustrou pessoalmente em março. Esse era o dorama que eu mais queria recomendar. Produção cara, conceito de super-heróis numa ambientação coreana contemporânea, algo que o mercado asiático ainda não tinha feito com esse nível de investimento. Estreou com dois episódios disponíveis de uma vez, estratégia que geralmente sinaliza confiança da produtora. Eu devorei os dois numa noite. E aí veio o terceiro episódio, que parecia ter sido escrito por uma equipe completamente diferente, e provavelmente foi. A coerência de tom sumiu. Os personagens tomaram decisões que contradiziam tudo que tinham estabelecido nas primeiras horas. Eu esperei mais um episódio por pura lealdade ao conceito. Não adiantou. Esse é o número um porque tinha o maior potencial e desperdiçou da forma mais dolorosa. Quando algo promete revolucionar e entrega medíocre, a decepção é proporcional à esperança.
E aqui no Brasil, como ficamos?
Todos esses títulos estavam disponíveis via plataformas de streaming com assinaturas que variam entre R$ 18 e R$ 45 por mês no período, dependendo do plano e da plataforma. O fandom brasileiro, que é um dos mais ativos do mundo fora da Ásia, foi especialmente honesto nas avaliações: o Letterboxd e os grupos de Telegram registraram ondas de reviews negativos nas semanas seguintes às estreias, especialmente para os títulos 1 e 2 desta lista. Isso importa porque o consumidor BR não tem paciência para obra ruim só porque tem legenda. A gente quer qualidade, e sabe reconhecer quando não está recebendo.
Minha aposta é que pelo menos dois desses títulos serão relembrados daqui a alguns anos como 'aquele dorama que todo mundo dropou', que é um tipo de legado que nenhuma produção quer ter. Vai por mim: o fandom tem memória longa. E você, dropou algum desses também? Me conta aqui nos comentários qual foi o episódio que fez você fechar a aba.





