Um lightstick amarelo vívido. Milhares de likes. E uma comparação que ninguém na agência estava esperando.
O penlight que virou piada mundial antes do grupo ganhar um hit
O AND2BLE lançou seu penlight oficial durante um evento recente, e a recepção foi, digamos, inesperada. Segundo o koreaboo.com, uma fã que esteve presente no evento compartilhou fotos do item nas redes sociais, e a internet chegou ao mesmo veredicto quase ao mesmo tempo: o lightstick amarelo vívido do grupo lembra, com desconfortável precisão, um coletor de urina para exame clínico.
Os posts apontando a semelhança acumularam milhares de curtidas, e fãs coreanos, japoneses e de outros países chegaram à mesma conclusão de forma independente. Não foi uma brincadeira localizada: foi convergência global em cima do mesmo objeto. Para um grupo que ainda está construindo sua base, ter o primeiro item de merchandise com destaque mundial por esse motivo é o tipo de situação que qualquer equipe de marketing gostaria de poder desfazer. A empresa ainda não se pronunciou sobre um possível redesign ou retirada do produto de circulação.
Quatro ex-membros do ZEROBASEONE: por que o AND2BLE já nasceu sob pressão
O AND2BLE não é um rookie qualquer. O grupo é formado por quatro ex-participantes do ZEROBASEONE, o boy group que saiu do reality Boys Planet da Mnet em 2023 e passou por um contrato de duração limitada de dois anos e meio. O ZB1, como o fandom chama, terminou seu ciclo oficial no início de 2026 após acumular premiações relevantes no circuito de music shows e consolidar uma fanbase sólida chamada ZEROSE.
Esse histórico é uma faca de dois gumes. Por um lado, os membros chegam ao AND2BLE com reconhecimento e com fãs que já os acompanham há anos, o que encurta drasticamente a fase de construção de público que a maioria dos rookies enfrenta. Por outro, cada decisão da agência, de conceito musical a tipografia no packaging, fica sob escrutínio intenso de pessoas que já têm opinião formada sobre esses artistas. Um lightstick com paleta de cor problemática em qualquer outro grupo seria uma piada passageira. No AND2BLE, vira trending com velocidade de grupo estabelecido.
Na minha leitura, esse episódio revela um problema recorrente em agências menores que trabalham com artistas de pedigree: elas herdam a audiência sem herdar a infraestrutura de aprovação criativa que os grupos maiores têm. O resultado é exatamente esse, um item que claramente não passou por revisão suficiente antes de chegar ao evento.
O que fãs brasileiros do ZB1 estão encontrando agora
O Brasil teve presença ativa no fandom do ZEROBASEONE durante todo o ciclo do grupo. Comunidades brasileiras no X (antigo Twitter) e no Instagram acompanharam de perto cada music show, cada premiação e o encerramento do contrato em 2026. Com a formação do AND2BLE, parte dessas fãs migrou naturalmente para o novo grupo, enquanto outras aguardam para ver como a identidade artística vai se desenvolver.
Por enquanto, o AND2BLE ainda não tem presença confirmada em plataformas de streaming brasileiras com material oficial robusto, e não há registro de apresentações ou fan meetings no Brasil previstos. O acompanhamento segue majoritariamente pelo Weverse e pelo YouTube oficial do grupo, ambos acessíveis sem restrição geográfica. Para quem quer seguir a carreira dos membros vindos do ZB1, esses são os canais mais diretos no momento.
Merch polêmica não é exclusividade do AND2BLE: o padrão da 5ª geração sob lupa
O caso do penlight amarelo entra numa lista crescente de merchandise de grupos da 5ª geração que viralizaram por razões que a agência definitivamente não planejou. A pressão sobre rookies de 2024 e 2025 é estruturalmente diferente do que grupos anteriores enfrentaram: o ciclo de atenção das redes é mais curto, a comparação com grupos estabelecidos é imediata, e qualquer deslize criativo vira captura de tela em questão de minutos.
Lightsticks têm um peso simbólico específico na cultura do K-pop: são o item que fãs carregam em shows, que identificam um fandom no escuro de uma arena, que aparecem em fancams. Errar na cor ou no design não é só uma questão estética, é uma decisão que vai aparecer em cada registro visual ao vivo que o grupo tiver. Se a agência optar por manter o produto atual, vai conviver com essa associação por tempo indeterminado. Se fizer o redesign, vai precisar lidar com o custo reputacional de admitir o erro publicamente.
O AND2BLE tem material de sobra para construir uma carreira sólida: os membros têm experiência de palco, fanbase pré-formada e o reconhecimento que vem de ter passado pelo filtro de um reality competitivo de alto nível. Um lightstick controverso não desfaz isso. Mas é um lembrete de que na 5ª geração, a margem para descuido em qualquer detalhe operacional é praticamente zero.





