Comentários racistas ao vivo, em canal de TV americano. E os alvos eram o maior grupo de K-pop do mundo.
Enquanto o mundo inteiro discutia a colaboração do BTS com a Oreo, uma das parcerias mais faladas do grupo nos últimos tempos, um segmento transmitido ao vivo nos Estados Unidos virou motivo de indignação global. O que era pra ser uma cobertura simples de um produto se transformou num episódio que expõe, mais uma vez, como parte da mídia ocidental ainda trata artistas asiáticos com um misto de ignorância e desrespeito. Conforme reportado pelo koreaboo.com, o caso aconteceu durante uma transmissão no KJTV, Canal 34, afiliada da Fox Broadcasting Company.
O que aconteceu ao vivo no canal afiliado da Fox
O apresentador James Eppler abriu o segmento falando sobre os cookies temáticos do BTS e disse, sem nenhum constrangimento, que "não conseguia citar uma música sequer do BTS". A colega de bancada concordou na mesma hora, afirmando que, apesar de reconhecer o sucesso do grupo, ela também "literalmente não conseguia nomear uma música". Até aí, dá pra entender como ignorância comum de quem não acompanha o nicho. Mas o episódio não parou por aí.
James Eppler então comentou sobre os 13 designs dos cookies, que juntos formam uma mensagem especial para os fãs, e afirmou ao vivo que a mensagem seria "Death to America", uma invenção completa, sem nenhuma base factual, e que muitos fãs e observadores classificaram como uma piada racista disfarçada de comentário casual. A reação nas redes foi imediata. Fãs de várias partes do mundo foram às plataformas denunciar o episódio, usando palavras como "humilhante", "racista" e "desrespeitoso". Até o momento da publicação desta matéria, nem o KJTV nem os apresentadores envolvidos emitiram qualquer resposta pública ao caso.
Quem é o BTS e por que esse episódio dói mais fundo
Falar que o BTS é um grupo de K-pop já virou quase uma simplificação. Em mais de uma década de carreira, RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook transformaram o que significa ser um artista asiático no mercado ocidental. O grupo acumulou múltiplos álbuns no topo da Billboard 200, entrada histórica no Hot 100 com Dynamite em 2020, a primeira vez que um grupo coreano alcançava o número 1 da parada, e discursos na ONU que repercutiram muito além do universo do fandom. Eles não são só música: viraram símbolo de soft power coreano e de resistência cultural.
E é exatamente por isso que ver dois apresentadores de TV admitindo, com orgulho quase, que não conhecem nenhuma música do grupo enquanto fazem piadas sem fundamento sobre os produtos deles dói de um jeito específico. Não é só sobre não gostar de K-pop. É sobre a lógica de que artistas asiáticos podem ser ridicularizados e caricaturados sem consequências, algo que o ARMY vem denunciando há anos. Na nossa visão aqui no PopSeoul, esse episódio não é um acidente isolado: é parte de um padrão de como parte da mídia ocidental trata artistas não-brancos, especialmente quando vêm de culturas que ela ainda não sabe como encaixar no próprio imaginário.
O que o fandom brasileiro tem a dizer sobre isso
O Brasil tem um dos maiores fandoms do BTS fora da Ásia. Grupos de fãs como o BTS Brasil e dezenas de fanpages regionais movimentam centenas de milhares de pessoas nas redes sociais, e qualquer notícia envolvendo o grupo pipoca por aqui em questão de minutos. Com esse caso não foi diferente: as hashtags de repúdio ao episódio do KJTV chegaram rapidamente aos trending topics brasileiros do Twitter, com fãs usando tanto o português quanto o inglês para ampliar a denúncia.
Parte do ARMY brasileiro também trouxe à tona o contexto mais amplo: o BTS já enfrentou situações semelhantes antes, seja em entrevistas onde os apresentadores claramente não tinham feito nenhuma pesquisa, seja em coberturas que tratavam o fenômeno do grupo como algo passageiro ou difícil de levar a sério. A diferença é que, em 2026, com mais de 10 anos de carreira e um catálogo que inclui dezenas de músicas que já passaram de 1 bilhão de streams no Spotify, fica cada vez mais difícil justificar essa postura como simples desconhecimento. Quem quiser acompanhar as declarações dos fãs e os desdobramentos do caso pode seguir as atualizações nas contas oficiais do ARMY Brasil nas redes.
Um padrão que o fandom conhece bem, e que precisa ser nomeado
Episódios como esse não são novidade para quem acompanha a trajetória do BTS no Ocidente. Em 2018 e 2019, quando o grupo começou a frequentar os principais programas de TV americanos, não era incomum ver apresentadores surpresos, como se o sucesso do grupo fosse um equívoco que seria corrigido em breve. A virada veio com Dynamite, que estreou direto no número 1 do Hot 100 em agosto de 2020, quebrando barreiras que nenhum artista coreano tinha quebrado antes. Depois vieram Butter e Permission to Dance, que também chegaram ao topo da parada americana, consolidando uma sequência histórica.
O fato de, mesmo depois de tudo isso, um canal afiliado de uma das maiores redes de TV dos Estados Unidos ainda tratar o grupo com esse nível de descaso e fabricar informações falsas sobre seus produtos mostra que o preconceito estrutural é mais resistente do que qualquer chart. Vai por mim: o ARMY sabe disso faz tempo. E continuará cobrando responsabilidade, como fez agora. O episódio do KJTV pode não ter resposta oficial ainda, mas a pressão pública não vai diminuir tão cedo.
O que você achou desse episódio? Acha que o canal deveria se pronunciar oficialmente? Conta pra gente nos comentários!




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