Chega um ponto do ano em que a grade de doramas vira campo minado: tem muita coisa anunciada, pouca coisa que de fato merece a sua atenção.
Como eu montei essa lista, e por que ela não é igual a todas as outras
Vou ser honesta: não listo por hype de produtora nem por nome de ator famoso isolado. Meu critério aqui é uma combinação de três fatores: premissa com alguma coisa a dizer, histórico da equipe criativa envolvida e o que o trailer ou material de divulgação já sinalizou sobre o tom da obra. Fama de elenco conta, mas entra como ponto de atenção, não como passaporte automático para o topo. A ordem importa, e vou explicar cada posição.
Os 7 mais esperados do segundo semestre de 2026
1. When Life Gives You Tangerines
Sim, tecnicamente a primeira parte estreou antes, mas o segundo bloco de episódios que completa essa história chega no segundo semestre e é ele que eu estou esperando com mais seriedade. IU e Park Bo-gum numa narrativa multigeracional escrita por Im Sang-chun, o roteirista de My Mister, que é na minha opinião um dos melhores dramas coreanos de todos os tempos, ponto. A premissa atravessa décadas de uma família em Jeju e o que já foi exibido mostrou uma maturidade narrativa rara. Está no meu primeiro lugar porque a equipe já provou que sabe entregar, e o que resta da história é justamente o peso emocional que eu quero ver resolvido com cuidado.
2. The Tyrant's Chef (em tradução livre)
Confesso que doramas de época com culinária como eixo central já me cansaram um pouco como subgênero, mas esse aqui tem uma combinação que me deixou curiosa: ambientação na dinastia Joseon, protagonista feminina disfarçada e um antagonista que a produção claramente não quer simplificar. O que me convenceu foi o diretor envolvido, que já conduziu obras de sageuk com ritmo acima da média. Se a escrita não trair o conceito nos episódios finais, pode ser a surpresa do semestre. Fico de olho exatamente porque não quero criar expectativa demais e me arrepender.
3. Goblin 2
Preciso ser direta aqui: sequências de clássicos me deixam desconfiada por princípio. Goblin, o original de 2016, com 16 episódios, é uma obra que carrega peso afetivo enorme para muita gente, inclusive para mim. Uma continuação sempre corre o risco de existir só para capitalizar nostalgia. O que me fez colocar esse projeto na lista, e não fora dela, foi a confirmação de que Kim Eun-sook está de volta à escrita. Ela criou o original, então pelo menos a voz narrativa tem chance de ser coerente. Mas entro com ceticismo declarado, e acho que qualquer pessoa que amou o primeiro precisa entrar com o mesmo.
4. The Divorce Insurance (em tradução livre)
Na minha opinião, romcoms coreanas vivem um momento de reinvenção real, e esse projeto parece surfar nessa onda com consciência. A premissa, uma mulher que trabalha vendendo apólices de seguro para divórcio e acaba se envolvendo com um dos clientes, tem o tipo de ironia social que os melhores romcoms coreanos souberam trabalhar na última década. O elenco ainda não está 100% confirmado quando escrevo isso, por isso mantenho no quarto lugar em vez de mais acima. Potencial alto, incerteza ainda presente.
5. Motel California (em tradução livre)
Esse é o projeto que mais me intriga do semestre. É descrito como thriller psicológico ambientado num motel isolado, com estrutura de episódios curtos, na faixa de 30 minutos cada, num total de 12 capítulos. Formato enxuto combinado com thriller me atrai porque elimina o problema clássico dos dramas coreanos de 16 episódios, que costumam perder o fôlego no meio. Se a direção visual for à altura da premissa, esse pode ser o drama que todo mundo vai querer terminar numa sentada só. Entro com expectativa controlada, mas genuína.
6. The Architect (em tradução livre)
Um drama de escritório que aparentemente não quer ser só drama de escritório. O ângulo de crítica ao mercado imobiliário coreano, que é um assunto de tensão social real no país, me parece mais relevante do que mais uma história de amor entre chefe e subordinada. O que me segurou no sexto lugar é que o material divulgado até agora é econômico demais para eu ter uma leitura clara do tom. Pode virar algo com substância ou pode diluir a crítica social numa trama sentimental sem nervura. Interesse real, mas com reservas.
7. Our Blues 2
Sim, outra continuação, e sim, fico desconfiada de novo. Mas Our Blues original, de 2022, com 20 episódios, foi uma antologia coral sobre vidas em Jeju com uma generosidade humana que poucos doramas recentes tiveram. A proposta de expandir o universo com novos personagens, mantendo o formato de histórias entrelaçadas, me parece a abordagem mais honesta que uma continuação poderia ter. Não é nostalgia forçada, é extensão de mundo. Está em sétimo porque ainda é uma aposta com mais interrogações do que certezas, mas uma aposta que eu faço.
E aqui no Brasil, onde assistir tudo isso?
A maioria desses títulos deve chegar pela Netflix, que em 2026 segue como principal porta de entrada para dramas coreanos no Brasil, com assinatura a partir de R$ 20,90 por mês no plano básico. When Life Gives You Tangerines já está confirmado na plataforma. Os demais títulos com tradução livre ainda dependem de anúncio de distribuição oficial, e o Viki, com plano Plus a cerca de R$ 25 mensais, costuma ser alternativa importante para obras que a Netflix não adquire. Vale manter os dois no radar durante o semestre.
A aposta que eu faço, sem hesitar
Se eu tivesse que escolher um único drama desse segundo semestre para recomendar sem reserva, escolheria When Life Gives You Tangerines, e o motivo é simples: Im Sang-chun já me provou que sabe escrever sobre dor sem explorar e sobre amor sem infantilizar. Isso é mais raro do que parece, e eu prefiro apostar em equipe com histórico do que em premissa nova sem respaldo. O resto do semestre fica como exercício de ceticismo otimista, que é, convenhamos, o estado mental mais honesto para quem acompanha doramas com seriedade.





