Tem franquia que não precisa de defesa, mas merece uma boa conversa honesta.

Eu cresci com Dragon Ball passando na TV aberta, no horário do almoço, com aquela abertura que entrava no sangue antes mesmo de eu entender o que era anime. Hoje, com décadas de franquia acumuladas e Dragon Ball Super: Broly (2018) ainda fresco na memória emocional, eu me pego pensando: nenhum outro anime conseguiu replicar a sensação física de assistir a uma boa batalha dessa franquia. Não é nostalgia falando, não só isso. É técnica, é narrativa, é construção de tensão que virou escola. Então vou ser honesta com você: essa lista não é sobre as batalhas mais populares do fandom. É sobre as que eu acho que realmente importam, e por quê.

Critério da curadoria: o que conta como 'superar'?

Antes de entrar na lista, preciso deixar claro o meu critério, porque lista sem critério é só achismo. Para mim, uma batalha que 'nenhum outro anime vai superar' precisa ter três coisas ao mesmo tempo: peso emocional real (não só pancadaria bonita), consequência narrativa (a história muda depois dessa luta) e inovação no que é possível fazer dentro do gênero. Com esse filtro, muita coisa famosa ficou de fora. Vai por mim, a lista ficou mais interessante assim.

As 5 batalhas que ficaram na história

1. Goku vs. Freeza, em Namek

Não tem como começar por outro lugar. A batalha de Goku contra Freeza em Namek é, na minha opinião, o momento em que Dragon Ball deixou de ser um anime de aventura e virou um evento cultural. A transformação em Super Saiyajin não é só um power-up: é a conclusão de arcos emocionais que vinham sendo construídos desde a morte de Krilin, desde a destruição de Namek, desde a humilhação de Vegeta. É o único momento em que um anime de shonen me fez entender o que é catarse de verdade. Durou meses no ar, sim, com episódios de relleno que irritaram meio mundo, mas o pico é inatingível. Nenhum rival chegou perto dessa carga simbólica.

2. Gohan vs. Cell, no Torneio Cell

Confesso que essa é a minha favorita pessoal, e eu sei que tem gente que discorda. Mas a batalha de Gohan contra Cell no Cell Games tem algo que nenhuma outra luta da franquia repete: ela é sobre um filho carregando o peso do pai. Quando Goku morre e passa o bastão para Gohan, a luta vira uma discussão sobre herança, sobre expectativa, sobre o que significa ser o escolhido quando você não quer ser. O Kamehameha pai e filho, com Goku aparecendo do outro lado, é o tipo de recurso narrativo que te destrói emocionalmente se você acompanhou a jornada desde o começo. É cinema dentro de um anime de TV.

3. Goku vs. Vegeta, no arco Saiyajin

Essa batalha de Dragon Ball Z, lá no arco Saiyajin, é a que definiu a gramática do anime de ação para os próximos trinta anos. O Genki Dama que falha, a transformação em Oozaru, a cena em que Gohan corta o rabo, Goku sendo literalmente destruído e mesmo assim recusando que Krilin mate Vegeta: tudo aqui é manual de construção de tensão. É uma batalha que dura vários episódios e não perde ritmo, o que é um feito enorme para um anime semanal. Sem essa luta, eu não tenho certeza se Naruto, Bleach e One Piece existiriam da forma que existem.

4. Goku vs. Jiren, no Torneio do Poder (Dragon Ball Super)

Eu sei que Dragon Ball Super divide o fandom, e eu entendo quem critica o arco do Torneio do Poder. Mas a batalha de Goku contra Jiren no episódio 109 de Super, em 2017, com a transformação Ultra Instinct, é tecnicamente a animação mais impressionante que a Toei já produziu para a franquia até então. O episódio especial de uma hora em que Goku acessa o Ultra Instinct pela primeira vez quebrou recordes de audiência no Japão, e a razão é simples: a direção de animação entrou num nível diferente. Para mim, esse episódio prova que Dragon Ball Super, quando queria, entregava demais, e o fandom nunca deu o crédito justo a isso.

5. Goku e Vegeta vs. Broly (Dragon Ball Super: Broly, 2018)

O filme Dragon Ball Super: Broly, de 2018, é a resposta definitiva para quem achava que a franquia tinha ficado para trás em termos de animação. A batalha final, que começa com Goku e Vegeta separados, passa por Gogeta e termina com uma sequência de transformações que dura quase meia hora, usa um estilo de animação fluido e quase caótico que nunca tinha sido visto na franquia antes. É o tipo de trabalho que você pausa, volta e assiste de novo só para entender como fizeram aquilo. Cheguei a ver fãs comparando com sakuga de Ufotable, e não é exagero.

E aqui no Brasil, onde assistir?

Dragon Ball Super: Broly está disponível no Crunchyroll, que custa a partir de R$ 19,90 por mês no plano básico. Dragon Ball Z e Dragon Ball Super estão no catálogo também, com dublagem em português, o que facilita a vida de quem quer rever essas batalhas em ordem cronológica. O fandom brasileiro é um dos maiores do mundo e não falta comunidade ativa pra discutir cada quadro dessas lutas, de Reddit a grupos de Discord. Se você nunca assistiu em ordem, esse é o momento.

A minha aposta pessoal é que a próxima batalha que vai entrar nessa lista vem do próximo filme da franquia, que o fandom está esperando ansioso. Mas por enquanto, essas cinco são, na minha opinião, o teto do gênero. Qual batalha você colocaria aqui que eu deixei de fora? Me conta nos comentários, porque adoro quando alguém muda a minha cabeça.