Barba fechada, tatuagens cobrindo o braço direito e uma camisa estampada nada comportada. Quem espera ver o Gary do Running Man de dez anos atrás vai precisar recalibrar a memória.
O passeio em Seul que virou notícia
Em 9 de julho, Gary publicou uma série de fotos no próprio perfil nas redes sociais com a legenda simples: "melhores restaurantes do Gyeongbokgung". As imagens mostravam ele e a esposa caminhando pelo bairro de Jongno-gu, em Seul, aproveitando um date tranquilo num restaurante coreano tradicional. Nada de câmeras ou estrutura de programa, só os dois numa tarde comum, conforme mostra o koreaboo.com.
O que chamou atenção não foi o passeio em si, mas a aparência. Camisa com estampa vibrante, calça bege, tom de pele mais moreno e uma barba densa que ele claramente deixou crescer sem pressa. Completando o conjunto, tatuagens desenhadas ao longo do braço direito. O visual criou um contraste imediato com a imagem que a maioria das pessoas ainda tem dele: o membro mais tranquilo e carinhoso do elenco fixo do Running Man, aquele que virou símbolo de lealdade dentro do programa com o personagem "segunda-segunda" que ele construiu ao longo dos anos no SBS.
Quem é Gary e o que o Running Man representou na carreira dele
Gary, cujo nome real é Kang Hee Kun, ganhou fama dupla no Coreia dos anos 2010: como rapper do duo Leessang ao lado de Gil e como membro fundador do Running Man, o variety show de caça e missões do SBS que dominou as audiências coreanas e construiu uma base de fãs enorme na Ásia, incluindo o Brasil. O programa estreou em 2010 e Gary ficou no elenco até outubro de 2016, quando anunciou saída surpresa que gerou repercussão considerável entre quem acompanhava o show semanalmente.
Depois da saída do Running Man, ele manteve um perfil discreto. Em 2017, casou com uma mulher não pública, 10 anos mais nova, e o casal tem um filho chamado Hao. Em 2020, reapareceu no KBS 2TV com o reality The Return of Superman, mostrando a rotina com Hao, e o episódio foi bem recebido pelo público. Mais recentemente, em janeiro de 2026, participou do MBC The Manager, reencontrando telespectadores depois de um hiato longo. A presença no programa funcionou como um lembrete de que ele ainda está por aí, a seu próprio ritmo. Na minha leitura, Gary é um dos poucos ex-integrantes de variety que conseguiu sair sem criar drama e ainda manter afeto genuíno do público, o que é raro e diz bastante sobre como ele conduziu a própria saída em 2016.
A transformação visual e o que ela significa de verdade
Transformação de imagem em celebridades coreanas costuma ser calculada: novo conceito, novo álbum, nova era. O que Gary fez é diferente porque não parece anunciar nada. Não teve teaser, não teve press release. Foi uma foto de data com a esposa numa tarde de julho, publicada com uma legenda sobre restaurante. O visual diferente simplesmente estava lá, sem explicação.
A barba crescida e as tatuagens no braço são um afastamento claro da estética clean que o mainstream coreano costuma associar a artistas de variety dos anos 2010. Não é necessariamente uma reinvenção artística, pode ser só um homem de quarenta e poucos anos vivendo como quer. Mas o contraste com a memória coletiva que o público tem dele é real, e foi suficiente para transformar uma postagem corriqueira em assunto.
Gary e o fandom brasileiro: uma conexão que veio pelo Running Man
O Running Man teve papel fundamental na expansão do interesse por cultura coreana no Brasil antes do K-pop se tornar mainstream por aqui. Durante boa parte dos anos 2010, o programa circulava em grupos de download e fóruns dedicados, e Gary era um dos membros com base de fãs mais sólida entre o público brasileiro, especialmente por conta da dinâmica que ele construiu com Ji Hyo ao longo do show, o famoso "Monday Couple" que gerou fanfics, edits e discussões intermináveis.
Para quem cresceu assistindo ao Running Man legendado por fansubs, ver o Gary de hoje é uma experiência estranha e boa ao mesmo tempo. O programa ainda está disponível na plataforma Viki com legendas em inglês para quem quiser rever os episódios clássicos. Não há confirmação de disponibilidade com legendas em português em nenhuma plataforma de streaming no Brasil até o momento, mas episódios avulsos circulam no YouTube no canal oficial do SBS com legenda automática.
O que observar daqui para frente
Gary não deu nenhuma indicação de retorno musical ou a programas de variedade de forma regular. A aparição no The Manager em janeiro de 2026 foi pontual, e as postagens nas redes seguem o padrão de quem usa o próprio perfil como diário pessoal, não como ferramenta de promoção. Aos 42 anos, o ritmo que ele escolheu é visivelmente diferente do ciclo de comebacks e exposição constante que o entretenimento coreano costuma exigir.
O dado que fica: Gary saiu do Running Man em outubro de 2016, quase 10 anos atrás, e uma foto de passeio com a esposa ainda gera atenção suficiente para virar pauta. Esse tipo de lembrança afetiva que o público carrega é o legado mais concreto de quase sete anos dentro de um programa de variedade. Poucos conseguem isso.





