O fandom não estava preparado — mas a STARSHIP, estava. Em 11 de maio, a agência das IVE foi a público com um comunicado detalhando ações legais concretas contra quem produce e distribui conteúdo malicioso contra as integrantes do grupo, incluindo deepfakes de natureza sexual. Segundo o soompi.com, boletins de ocorrência criminais já foram registrados.

O que a STARSHIP fez — e por que foi além do comunicado padrão

A maioria das agências coreanas emite nota, pede desculpas e some. A STARSHIP foi na direção oposta. No comunicado divulgado em 11 de maio, a empresa listou plataformas específicas onde as denúncias foram feitas: X (antigo Twitter), DC Inside, Naver, Daum Cafe, Nate Pann, Instiz, TheQoo, MLB Park, FM Korea, Instagram, Facebook, TikTok e YouTube. Não foi uma lista genérica — foi um aviso direto: a gente sabe onde vocês estão.

O ponto que mais chamou atenção no statement foi um detalhe técnico e muito importante: a agência deixou claro que posts deletados, contas privadas ou perfis desativados não apagam a responsabilidade legal. As evidências já foram coletadas e submetidas às autoridades investigativas. Em outras palavras, apagar o post não resolve mais. Isso é diferente do que a gente costuma ver — e manda um recado bem mais duro para quem pensa que o anonimato online é escudo suficiente. Além das queixas criminais, a STARSHIP confirmou que também está movendo ações cíveis, ou seja, os responsáveis podem responder tanto na esfera penal quanto perder dinheiro no processo.

Quem são as IVE — e por que esse momento importa tanto para elas

Se você ainda não acompanha o IVE de perto, aqui vai o contexto: esse grupo estreou em dezembro de 2021 pela STARSHIP Entertainment com Ahn Yujin, Gaeul, Rei, Jang Wonyoung, Liz e Leeseo — e literalmente não parou desde então. O debut single "ELEVEN" já entrou nos charts numa velocidade absurda, e a trajetória desde lá foi de grupo revelação a uma das atos femininos mais relevantes do K-pop atual. "LOVE DIVE", "After LIKE", "I AM", "Baddie" — cada era foi maior que a anterior, e a cada comeback elas consolidaram uma identidade estética sofisticada e uma fanbase global que não brinca em serviço.

Mas visibilidade no K-pop tem um preço cruel. Quanto maior o grupo, maior o alvo. Wonyoung, em particular, virou alvo recorrente de ataques desde os tempos de Produce 48 — ela tinha menos de 15 anos quando começou a ser exposta ao escrutínio público mais brutal. As outras integrantes também enfrentam constantemente hate coordenado, campanhas de desinformação e agora deepfakes, que são um dos problemas mais graves do ambiente digital atual. Aqui no PopSeoul, a gente acredita que a resposta da STARSHIP foi exatamente o tom que precisava — sem amenizar, sem abrir espaço para "exceções", com nomes e plataformas listados publicamente. É o tipo de postura que outras agências precisam adotar urgentemente.

O que isso significa para o fandom brasileiro — e para a conversa que a gente precisa ter

O fandom BR do IVE é grande, ativo e presente. Basta entrar em qualquer grupo de K-pop no WhatsApp ou ver os trends do Twitter nos dias de comeback para perceber o quanto esse grupo movimenta a comunidade brasileira. Fanpages dedicadas, fancams, threads de análise de MV — o engajamento é real. E é justamente por isso que essa notícia precisa circular por aqui: parte do conteúdo malicioso denunciado circula em plataformas que o fandom brasileiro também usa diariamente.

Deepfakes são um problema global, e o Brasil não está imune a isso. A produção e distribuição de montagens sexuais não consensuais de figuras públicas — incluindo ídolos do K-pop — é uma violação grave que muita gente ainda trata como "zoeira de internet". Não é. É crime em vários países, incluindo a Coreia do Sul, onde a legislação contra esse tipo de conteúdo foi endurecida nos últimos anos justamente por causa da escala do problema. Como fã, reportar esse tipo de conteúdo quando você encontrar nas plataformas não é overreacting — é o mínimo.

O padrão que a STARSHIP está estabelecendo — e o que o resto do setor precisa aprender

Não é a primeira vez que agências coreanas tomam ação legal em nome de seus artistas, mas a forma como a STARSHIP estruturou esse comunicado chama atenção por alguns motivos. Primeiro, a transparência: listar as plataformas especificamente é incomum e sinaliza que o monitoramento é sistemático, não reativo. Segundo, a abrangência: a nota menciona defamação, informações falsas, assédio sexual, ataques pessoais, insultos, invasão de privacidade e deepfakes — ou seja, não está focando só em uma categoria de abuso, mas tratando o problema em toda a sua extensão. Terceiro, e talvez o mais relevante: a ênfase em que posts apagados não equivalem a impunidade.

Isso importa porque existe uma cultura estabelecida dentro de certas comunidades online de postar hate anônimo e deletar rápido, criando a sensação de que não há consequências. A STARSHIP está ativamente desmontando essa lógica. E quanto mais agências adotarem esse mesmo padrão — com rigor, com transparência e com continuidade, e não apenas com notas que aparecem e somem —, mais o ambiente online pode, aos poucos, se tornar menos hostil para artistas que já vivem sob pressão enorme.

O comunicado encerra com uma afirmação clara: as medidas legais vão continuar, sem leniência, sem exceções. O IVE segue em atividade, o fandom segue crescendo, e a STARSHIP deixou claro que vai junto — não só nos holofotes do sucesso, mas também na proteção das integrantes quando o ambiente online vai longe demais.

O que você achou da postura da STARSHIP nesse caso? Você acha que outras agências deveriam adotar o mesmo modelo de transparência nas ações legais? Conta pra gente nos comentários!