Setenta e uma semanas. Consecutivas. No top 10. Deixa isso afundar.
Segundo o Soompi, a faixa "Drowning", de WOODZ (Cho Seung Youn), acaba de marcar a posição de música mais longeva no top 10 do Melon Top 100 de toda a história da plataforma — e o número continua subindo. A gente aqui no PopSeoul está completamente sem palavras. Não porque é um recorde bonito de anunciar, mas porque a história por trás disso é absurdamente boa.
71 semanas. O que "Drowning" fez que nenhuma outra música conseguiu?
Vamos colocar em perspectiva antes de mais nada: antes de "Drowning" chegar e fazer tudo isso, o recorde de permanência consecutiva no top 10 do Melon pertencia a "Hype Boy", do NewJeans, com 49 semanas. Antes disso, "Dynamite" do BTS segurava a marca com 36 semanas. São dois dos maiores fenômenos do K-pop da última década. E WOODZ — com uma B-side, gente, uma B-side — passou por cima dos dois como se fosse o mais natural do mundo.
A faixa foi originalmente lançada como lado B em 2023, o que já diz muito sobre o quanto ela não foi projetada para ser um hit mainstream. Mas em outubro de 2024, tudo mudou. WOODZ performou "Drowning" durante o especial de Dia das Forças Armadas do "Immortal Songs" — enquanto ainda estava cumprindo serviço militar obrigatório na Coreia. A apresentação viralizou de um jeito que a internet raramente vê: de forma orgânica, genuína, sem campanha de streaming coordenada ou push de fandom. As pessoas simplesmente sentiram. E ficaram. Segundo o Soompi, a partir dali a música disparou para o topo dos charts coreanos e terminou 2025 em primeiro lugar nos year-end charts do Melon, Genie e Circle Chart — ao mesmo tempo. Isso é o que o fandom chama de all-kill atrasado, e raramente acontece de forma tão poética.
Quem é WOODZ — e por que esse recorde faz todo sentido para quem o acompanha
Se você ainda não conhece Cho Seung Youn fora do nome artístico WOODZ, aqui vai o contexto: ele estreou como Woodz no cenário solo em 2020, depois de uma trajetória que incluiu participação no reality "Produce X 101", onde ajudou a formar o grupo X1 — que foi dissolvido em menos de um ano por causa do escândalo de manipulação de votos do programa. Ou seja: WOODZ começou sua carreira solo já carregando o peso de uma situação que não foi culpa dele, mas que poderia ter destruído qualquer um.
E o que ele fez? Lançou projetos sólidos, consistentes, com uma identidade musical própria que mistura R&B, pop alternativo e letras emocionalmente densas. Ele nunca foi o tipo de artista que dependia de hype para existir — e talvez seja exatamente isso que explica o fenômeno de "Drowning". A música não viralizou por um challenge no TikTok. Ela viralizou porque tocou fundo. E continuar tocando fundo por 71 semanas consecutivas é outro nível de conexão com o público. Para coroar: segundo o Soompi, a faixa também garantiu a WOODZ sua primeira vitória em programa musical de rede aberta — não uma, mas duas vitórias separadas no "Inkigayo" da SBS. Para um artista que lançou a música como B-side dois anos antes, é quase irreal.
O que o fandom brasileiro sente com essa conquista
A comunidade brasileira de WOODZ — carinhosamente chamada de WOODZillas BR e reunida em grupos no Twitter/X, Instagram e Discord — estava em colapso coletivo nos últimos dias. Os posts com print dos charts, a contagem semanal, a energia de "já era bom, mas agora é histórico" — tudo isso faz parte de um ritual que qualquer fã de K-pop brasileiro reconhece: a gente sofre junto, celebra junto e documenta cada marco como se fosse uma conquista pessoal. E de certa forma, é.
O Brasil tem uma relação especial com artistas que passam por adversidade e persistem. A trajetória de WOODZ — o escândalo do X1, o serviço militar, a B-side que ninguém apostava — ressoa muito com o público brasileiro, que historicamente root for the underdog. Não à toa, "Drowning" estourou também em playlists brasileiras de K-pop melancólico e R&B coreano no Spotify. Se você ainda não ouviu, vai por mim: você vai entender imediatamente por que 71 semanas fazem sentido.
O que esse recorde representa para o K-pop em 2026
Aqui no PopSeoul, a gente acha que esse momento de WOODZ é um dos mais importantes do K-pop nos últimos anos — não pelo brilho dos números, mas pelo que ele representa estruturalmente. A indústria do K-pop é construída sobre ciclos rápidos: comeback, chart, esquece, próximo comeback. O que "Drowning" fez foi desafiar essa lógica completamente. Uma B-side de 2023 que viraliza em 2024, domina os charts em 2025 e ainda está no top 10 em maio de 2026? Isso não deveria acontecer pelo manual do K-pop. E aconteceu.
Isso abre um precedente interessante: em um momento em que muito se discute sobre a saturação do mercado, a corrida por streams artificiais e a dificuldade de criar conexões duradouras com o público, WOODZ prova que longevidade ainda é possível — e que ela vem de autenticidade. A apresentação no "Immortal Songs" não tinha coreografia ensaiada para viral, não tinha conceito elaborado. Era só ele, a música e a emoção. E foi o suficiente para quebrar todos os recordes.
Com o fim do serviço militar de WOODZ se aproximando, a expectativa do fandom para um comeback oficial é enorme. Se ele conseguiu esse impacto com material antigo enquanto estava servindo, o que acontece quando ele voltar com material novo e puder promover ativamente? A gente não sabe. Mas mal pode esperar para descobrir.
O que você achou desse recorde histórico de WOODZ? Você já conhecia "Drowning" antes da viralização ou foi pego de surpresa? Conta pra gente nos comentários!



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