Estamos na metade de 2026 e a disputa pelo topo do K-pop nunca foi tão acirrada, nem tão interessante.

Vou ser honesta: faz um tempo que eu resisti à ideia de fazer listas de 'quem vai dominar o ano'. Parecia preguiçoso, previsível. Mas quando olho para o que está acontecendo agora, em junho de 2026, percebo que este não é um ano qualquer para a 4ª geração. Alguns grupos deixaram de ser promessa e viraram realidade. Outros ainda estão na fase de convencer. E tem aquele grupo que todo mundo subestimou e que, na minha opinião, vai ser o nome mais citado quando a gente fizer o retrospecto de dezembro. É sobre esse mapa que eu quero falar hoje.

O critério que uso, porque critério importa

Antes de entrar nos nomes, preciso deixar claro o que me faz acreditar em um grupo para o longo prazo. Não é só número de streams, não é só charme em performance. Eu observo três coisas: consistência de lançamento (presença no mercado sem gaps longos demais), identidade sonora reconhecível, e capacidade de crescer fora da Coreia sem perder o que os torna únicos. Grupo que só funciona dentro do ecossistema coreano tem teto. Grupo que atravessa fronteiras tem futuro.

Com esse filtro na cabeça, fica mais fácil separar o que é hype de passagem do que é construção real.

TOMORROW X TOGETHER: a virada que eu não esperava tão cedo

O TXT completou sete anos de carreira em 2026 e, confesso que, por um bom tempo, eu os li como 'o grupo da Big Hit que não é BTS'. Foi um erro meu. O que eles fizeram nos últimos ciclos foi construir uma estética própria que mistura angústia adolescente com pop alternativo de uma forma que nenhum outro grupo da geração faz igual. O álbum The Name Chapter, lançado em 2023, foi o ponto de inflexão, mas os efeitos práticos desse crescimento estão aparecendo agora, em 2026, nas vendas globais e nas arenas que eles conseguem preencher fora da Ásia.

Para mim, o TXT já não é 4ª geração lutando por espaço. É 4ª geração que chegou.

aespa: o risco que vale a pena defender

Eu sei que tem gente no fandom que acha o universo narrativo da SM exagerado, aquela mitologia toda do 'nævis' e do mundo paralelo. E entendo a crítica. Mas vou tomar um partido aqui: a aespa é o grupo mais ambicioso conceitualmente da 4ª geração, e isso é exatamente o que vai garantir longevidade a elas. Em um mercado onde todo grupo de girl group corre atrás de um conceito 'girl crush' ou 'cute', a aespa apostou em ficção científica e em sonoridade hyperpop que a maioria das gravadoras ainda tem medo de lançar.

O risco é real. Se a narrativa perder o fio, o público se perde junto. Mas se funcionar, e os números de streams globais de 2025 e 2026 sugerem que está funcionando, elas vão ser estudadas como case de branding musical por anos.

ILLIT: a aposta que eu faço com reservas

O ILLIT estreou em 2024 com 'Magnetic' e chegou ao top 100 da Billboard Hot 100, o que é um feito real e verificável para um grupo tão recente. A velocidade de adoção foi impressionante. Mas eu tenho uma ressalva que preciso colocar na mesa: ainda não sei se o som delas é identidade ou fórmula. 'Magnetic' funcionou porque pegou uma estética indie pop europeia e colocou dentro de um pacote K-pop muito bem executado. A questão é o que vem depois.

Se o próximo ciclo mostrar que elas têm algo a dizer além da fórmula, entro totalmente no time. Por enquanto, é a minha aposta com mais asterisco na lista.

E aqui no Brasil, como acompanhar tudo isso?

Para quem quer entrar ou se aprofundar no universo desses grupos, o caminho mais acessível no Brasil hoje passa pelo Spotify para discografia completa, sem custo adicional no plano padrão (em torno de R$ 21,90 por mês). Conteúdo audiovisual oficial, como os MVs e os documentários, está concentrado no YouTube e no Weverse, plataforma da HYBE que tem versão gratuita com acesso a bastante material de bastidores do TXT e do ILLIT. Para a aespa, o canal oficial da SM no YouTube é generoso em conteúdo, inclusive com performances ao vivo de qualidade. Álbuns físicos chegam ao Brasil principalmente via importadoras como a Meucase e a Kopop Store, com preços que costumam ficar entre R$ 120 e R$ 200 dependendo da edição e do câmbio.

O nome que todo mundo está subestimando

Antes de fechar, preciso falar de ZEROBASEONE. O grupo estreou em 2023 via reality show e carrega o estigma de 'projeto temporário' que perseguiu outros grupos nascidos da mesma forma. Mas o que eles fizeram nos primeiros anos foi construir um fandom com nível de engajamento que rivaliza com grupos muito mais antigos, e a consistência vocal ao vivo é um diferencial real em um mercado onde isso importa cada vez mais. Na minha opinião, eles são o grupo mais subestimado da 4ª geração neste momento, e 2026 pode ser o ano em que essa percepção muda definitivamente.

Minha aposta final: quando a gente olhar para trás em dezembro, o TXT vai ser o grupo que consolidou, a aespa vai ser o grupo que surpreendeu em escala, e o ZEROBASEONE vai ser o nome que as pessoas vão lamentar não ter prestado atenção antes. Esse ciclo já começou.