Lançar um solo enquanto o grupo ainda existe é uma das apostas mais arriscadas do k-pop, e eu acho que a maioria das pessoas subestima isso.
O critério que usei, porque lista sem critério não vale nada
Vou ser honesta sobre como montei esse ranking: não entrou aqui quem simplesmente vendeu bem ou quem já era o membro mais popular do grupo. Entrou quem mudou a conversa sobre si mesmo, quem fez a gente rever o papel que aquela pessoa ocupava na dinâmica coletiva. O número um desta lista é o que, na minha opinião, executou isso com mais consistência artística, não apenas com um single forte. Ordem importa, então vou até o fim.
7. Baekhyun, 'City Lights' (2019)
Muita gente esperava que o vocal mais reconhecível do EXO fizesse um álbum de baladas seguras e parasse por aí. 'City Lights' foi o EP de estreia solo mais vendido de um artista sul-coreano no Gaon à época do lançamento, mas o que me interessa não é o número em si: é que Baekhyun escolheu um som R&B noturno, cheio de camadas de falsete, que não tentava soar como EXO em nenhum momento. Foi uma declaração de gosto, não de estratégia comercial. Isso conta.
6. Moonbyul, 'LUNARSOLAR' e a trajetória de risco calculado
Dentro do MAMAMOO, Moonbyul sempre foi o membro cuja identidade artística mais dependia do contraste com as outras. Solo, ela precisava se sustentar sozinha, e confesso que duvidei na primeira vez. O que me convenceu foi a consistência ao longo de vários lançamentos, construindo um universo de rap e performance que não pede comparação com nenhuma outra integrante. Não é o projeto mais polido desta lista, mas é um dos mais corajosos em termos de construção de imagem autoral.
5. Taemin, 'Advice' (2021)
Taemin já tinha crédito solo antes desse ponto, então colocá-lo aqui pode parecer óbvio. Não é. 'Advice', lançado pouco antes do período de serviço militar, foi um disco que jogou fora qualquer impulso de fazer algo seguro como despedida. A faixa-título tem uma estrutura harmônica irregular, quase estranha no contexto do k-pop mainstream, e ele soou mais à vontade do que em qualquer coisa que fez antes. É o tipo de trabalho que eleva o padrão do próprio artista, não só confirma o que já sabíamos.
4. Jimin, 'FACE' (2023)
Na minha opinião, 'FACE' é o álbum solo mais interessante que saiu do BTS até agora, e sei que isso vai incomodar parte do fandom. A questão é que Jimin foi o membro sobre quem mais se projetou uma imagem de 'difícil de definir solo', justamente por sua identidade estar tão colada à performance coletiva. 'Like Crazy', faixa de trabalho, chegou ao número 1 da Billboard Hot 100 em 2023, o que é dado verificável e relevante, mas o que me manteve ouvindo foi a crueza emocional de faixas como 'alone'. Ele não tentou ser o BTS. Tentou ser ele, e isso foi suficiente.
3. HyunA, trajetória pós-4Minute
Tecnicamente HyunA já era conhecida antes do 4Minute acabar, mas é depois da dissolução do grupo, em 2016, que ela passou a existir de verdade como artista solo com autonomia editorial visível. O que ela construiu nos anos seguintes, com estética e direção artística cada vez mais pessoais, transformou um nome que o público associava a um conceito específico de girl crush em algo mais difícil de categorizar. Isso é raro e merece reconhecimento explícito nesta lista.
2. Taeyeon, 'I' (2015) e o que veio depois
Taeyeon é, pra mim, o argumento mais sólido de que uma vocalista principal pode abandonar completamente o som do grupo de origem e construir algo de igual ou maior impacto. 'I', lançado em 2015, foi o início de uma carreira solo que passou a explorar indie pop, folk e texturas sonoras que nunca teriam cabido no SNSD. Confesso que o que mais me impressiona não é nenhum single isolado, mas a coerência do catálogo: ela soou como ela mesma em quase tudo que lançou, em décadas diferentes de mercado. Isso é muito mais difícil do que parece.
1. Zico, antes e depois do Block B
Zico encabeça esta lista porque fez algo que praticamente nenhum outro idol conseguiu com a mesma completude: tornou o grupo secundário na narrativa pública sem destruí-lo. Isso não é deslealdade artística, é resultado de uma construção solo tão consistente que o mercado foi obrigado a recalibrá-lo. Como produtor, compositor e performer, ele atravessou o hip-hop coreano mainstream e chegou a colaborações e produções que definiram ciclos do k-pop. O fato de o Block B ainda existir como referência afetiva enquanto Zico opera em outra escala completamente diferente é o maior sinal de que a carreira solo funcionou de verdade.
E no Brasil, onde acompanhar esses projetos?
A maioria desses álbuns está disponível no Spotify e no Apple Music com assinatura padrão, que em junho de 2026 custa em torno de R$ 21,90 por mês. Para quem quer ter os físicos, plataformas como o Shopee e importadoras especializadas costumam trazer edições com photobooks a preços que variam bastante, mas raramente ficam abaixo de R$ 120 considerando o frete. O 'FACE' do Jimin ainda circula bastante no mercado de revenda brasileiro, o que diz algo sobre a presença do BTS por aqui.
A aposta que fica
Se eu tivesse que nomear um solo que ainda não está nessa lista mas tem tudo para entrar em versões futuras, eu ficaria de olho em artistas de grupos de quarta e quinta geração que estão começando a mostrar que têm algo a dizer fora do coletivo. O mercado de solos no k-pop amadureceu, e o padrão subiu. Isso é bom para quem ouve de verdade.





